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A Verdadeira História de Moria: Como Khazad-dûm se Tornou um Reino Perdido

A Verdadeira História de Moria

Por wallasfonttes·01 de setembro de 2026·12 min de leitura
A Verdadeira História de Moria

A Verdadeira História de Moria: Como Khazad-dûm se Tornou um Reino Perdido

Quando a Sociedade do Anel entra em Moria, encontra um lugar aparentemente morto. Grandes portões conduzem a corredores mergulhados na escuridão, salões monumentais permanecem silenciosos e antigas construções dos Anões aparecem cercadas por sinais de abandono. Pouco depois, o grupo descobre que aquele silêncio esconde orcs, trolls e uma criatura muito mais antiga que qualquer um deles: a Perdição de Durin.

É fácil imaginar Moria apenas como a cidade subterrânea em ruínas onde Gandalf enfrentou o Balrog, mas aquela paisagem representa somente o final de uma história que começou milhares de anos antes. Durante grande parte de sua existência, o lugar era conhecido pelos Anões como Khazad-dûm e ocupava uma posição incomparável entre os reinos de seu povo.

Sob as Montanhas Sombrias, os descendentes de Durin construíram salões gigantescos, desenvolveram uma das maiores redes de mineração da Terra-média e encontraram uma riqueza que praticamente nenhum outro povo possuía: o mithril. O mesmo reino que alcançou um nível extraordinário de prosperidade acabaria, porém, descobrindo que abaixo de suas minas existia algo que deveria ter permanecido adormecido.

Antes de Moria existir, Durin encontrou um lago entre as montanhas

A origem de Khazad-dûm está ligada a Durin I, conhecido entre os Anões como Durin, o Imortal. Ele foi o mais antigo dos Pais dos Anões e despertou nas regiões próximas ao Monte Gundabad, no extremo norte das Montanhas Sombrias. Depois disso, viajou para o sul até chegar a um vale cercado pelas grandes montanhas que mais tarde estariam diretamente ligadas à história de seu povo.

Nesse lugar encontrava-se Kheled-zâram, o Lago-Espelho. A tradição dos Anões conta que Durin observou na água um reflexo de estrelas formando algo semelhante a uma coroa sobre sua cabeça. O sinal ficou profundamente associado ao destino de sua linhagem, e o vale tornou-se um dos locais mais importantes de toda a história dos descendentes de Durin.

Foi nas cavernas acima daquele lago que surgiu Khazad-dûm. O assentamento que começou ligado ao primeiro grande ancestral dos Anões continuaria crescendo por eras, atravessando períodos de guerras, migrações e transformações que destruiriam vários outros reinos da Terra-média.

Khazad-dûm cresceu até se tornar o maior reino dos Anões

Chamar Khazad-dûm simplesmente de mina não transmite a dimensão do que existia sob as Montanhas Sombrias. Ao longo de incontáveis gerações, os Anões ampliaram túneis, escadarias e salões até transformar a montanha em uma verdadeira cidade subterrânea com diferentes níveis e acessos para os lados oriental e ocidental da cordilheira.

Grandes colunas sustentavam câmaras tão extensas que a luz dificilmente alcançava seus limites. Estradas atravessavam o interior das montanhas, pontes ligavam diferentes partes do complexo e longas escadarias permitiam alcançar regiões muito acima ou abaixo das áreas habitadas. O conhecimento dos Anões sobre pedra e construção estava presente em praticamente todos os espaços daquele reino.

A localização de Khazad-dûm também era estratégica. As Montanhas Sombrias separavam grandes regiões da Terra-média, e possuir passagens através delas transformava o reino em um importante ponto de circulação e comércio. O crescimento da cidade não aconteceu isoladamente; sua prosperidade acabaria aproximando os Anões de outros povos, principalmente durante a Segunda Era.

O mithril transformou Khazad-dûm em um reino de riqueza extraordinária

A maior riqueza encontrada nas profundezas de Khazad-dûm era o mithril, um metal extremamente raro que reunia características difíceis de encontrar em qualquer outro material. Era leve, belo e extraordinariamente resistente, o que fazia com que objetos produzidos a partir dele alcançassem um valor enorme.

Na Terra-média, Khazad-dûm tornou-se a principal fonte conhecida desse metal. A possibilidade de extrair mithril fortaleceu o reino economicamente e aumentou sua importância para outros povos, fazendo com que os trabalhos realizados sob as montanhas alcançassem profundidades cada vez maiores.

Séculos depois, quando Gandalf atravessou Moria com a Sociedade do Anel, o mithril ainda representava uma riqueza quase impossível de calcular. A pequena cota de malha que Bilbo havia recebido de Thorin e posteriormente dado a Frodo era feita desse material, demonstrando como até uma quantidade relativamente pequena podia possuir um valor extraordinário.

A amizade com Eregion criou uma das épocas mais prósperas do reino

Durante a Segunda Era, Khazad-dûm viveu um período particularmente importante por causa de sua proximidade com Eregion, reino élfico estabelecido do lado ocidental das Montanhas Sombrias. Os Elfos daquela região eram conhecidos pela habilidade como artesãos, e sua convivência com os Anões resultou em uma relação incomum para dois povos que nem sempre mantinham laços tão próximos.

Celebrimbor ocupava uma posição central entre os artífices de Eregion, enquanto os Anões de Khazad-dûm possuíam conhecimentos extraordinários sobre construção e trabalho com metais. O contato entre eles criou um ambiente de cooperação que beneficiava os dois lados e transformava aquela região em um dos grandes centros de produção da Segunda Era.

Essa amizade ficou registrada de maneira especialmente visível na entrada ocidental de Khazad-dûm. Muito tempo depois da destruição de Eregion e da queda do reino anão, a Sociedade do Anel ainda encontraria ali um monumento criado quando Elfos e Anões podiam atravessar aquela fronteira como aliados.

As Portas de Durin nasceram em uma época em que Moria estava aberta aos amigos

As famosas Portas de Durin foram produzidas durante o período de amizade entre Khazad-dûm e Eregion. O anão Narvi construiu as portas, enquanto Celebrimbor realizou os desenhos e inscrições feitas em ithildin, material que podia permanecer praticamente invisível até ser iluminado de determinada maneira.

A própria inscrição revela muito sobre aquele período. Em vez de um desafio criado para impedir a passagem de desconhecidos, a mensagem fazia sentido em uma época de circulação entre aliados. A palavra mellon, que significa "amigo" em sindarin, funcionava como a chave necessária para abrir a entrada.

Há ainda um detalhe importante sobre o nome Moria. Embora ele seja fortemente associado ao aspecto sombrio que o reino teria posteriormente, a palavra já aparece na inscrição antiga das próprias Portas de Durin. Portanto, não é correto afirmar que o nome surgiu apenas depois do despertar do Balrog. Para os Anões, entretanto, o nome próprio de seu grande reino continuava sendo Khazad-dûm.

A destruição de Eregion fez Khazad-dûm se fechar para o mundo exterior

A prosperidade entre os dois povos não durou para sempre. Quando Sauron entrou em guerra contra os Elfos de Eregion durante a Segunda Era, a região foi devastada. Khazad-dûm participou da resistência e acabou recebendo sobreviventes, mas a destruição do reino vizinho alterou profundamente a situação ao redor das montanhas.

Depois desses acontecimentos, os Anões fecharam seus portões e reduziram seu contato com o exterior. Khazad-dûm permaneceu forte e protegido durante um longo período, algo que permitiu ao reino sobreviver a transformações que eliminaram ou enfraqueceram outras grandes potências da Terra-média.

Esse isolamento não significou decadência imediata. A linhagem de Durin continuou governando e as minas permaneceram ativas durante milhares de anos. O verdadeiro desastre só aconteceria muito depois, quando os trabalhos de mineração alcançaram regiões profundas demais para que seus habitantes compreendessem aquilo que estava escondido sob a montanha.

Os Anões cavaram cada vez mais fundo em busca de mithril

Durante a Terceira Era, a mineração de mithril continuava sendo uma das atividades mais importantes de Khazad-dûm. O metal estava se tornando cada vez mais difícil de encontrar, e os trabalhos avançavam para regiões progressivamente profundas das montanhas.

Os registros sobre a queda de Khazad-dûm afirmam que os Anões cavaram profundamente em sua busca pelo metal e acabaram alcançando algo que havia permanecido escondido desde uma era muito anterior ao próprio reino. Eles não tinham como saber que uma criatura sobrevivente das guerras contra Morgoth estava adormecida sob aquelas montanhas.

É comum resumir o acontecimento dizendo que a "ganância" dos Anões destruiu Moria, mas a história é um pouco mais complexa. O mithril certamente motivava escavações cada vez mais profundas, porém o desastre aconteceu porque os mineiros encontraram acidentalmente uma ameaça que ninguém imaginava existir naquele lugar.

O Balrog despertado sob Khazad-dûm era um sobrevivente da Primeira Era

No ano 1980 da Terceira Era, os Anões despertaram uma criatura que permanecia escondida nas profundezas. Era um Balrog, um dos espíritos corrompidos por Morgoth nos tempos antigos e transformados em alguns dos mais terríveis servos do primeiro Senhor do Escuro.

O fato de aquela criatura estar sob Khazad-dûm ajuda a explicar por que o reino não conseguiu simplesmente organizar um exército e derrotá-la. Os Anões estavam diante de um adversário pertencente a uma ordem de existência muito anterior aos seus próprios reinos e que havia participado dos grandes conflitos da Primeira Era.

O primeiro grande golpe foi a morte do rei Durin VI. A partir desse acontecimento, a criatura passou a ser conhecida como Perdição de Durin. No ano seguinte, seu filho Náin I também foi morto, deixando claro que a maior cidade anã da Terra-média já não poderia ser defendida como antes.

A morte de dois reis obrigou os Anões a abandonar Khazad-dûm

Depois da morte de Náin I, os sobreviventes não tiveram condições de permanecer no reino. Os descendentes de Durin deixaram os grandes salões que seu povo havia construído durante eras e partiram para outros territórios, iniciando uma nova fase de sua história.

A queda foi especialmente traumática porque Khazad-dûm não era apenas uma fortaleza ou uma mina valiosa. A cidade estava ligada ao próprio Durin I e representava o coração histórico da linhagem conhecida como Povo de Durin. Abandoná-la significava perder um lugar que fazia parte da identidade daquele povo desde seus primeiros tempos.

O Balrog permaneceu em Moria, mas os problemas dos Anões não terminaram com a fuga. Nos séculos seguintes, seus descendentes ainda enfrentariam novas guerras, perderiam outros lares e carregariam o desejo de retornar algum dia ao reino sob as Montanhas Sombrias.

Moria acabou se tornando um território ocupado por orcs

Depois que os Anões abandonaram Khazad-dûm, a antiga cidade deixou de funcionar como um reino organizado. Seus enormes corredores continuaram existindo, mas passaram a ser ocupados por criaturas que transformaram as antigas estruturas em esconderijos e posições militares.

Orcs estabeleceram presença em diferentes períodos, e Moria passou a ser vista pelos povos de fora como um lugar extremamente perigoso. A combinação entre quilômetros de passagens subterrâneas, criaturas hostis e a presença desconhecida do Balrog tornava qualquer tentativa de ocupação uma tarefa arriscada.

Mesmo assim, os Anões nunca esqueceram Khazad-dûm. A ligação histórica com Durin e a riqueza ainda escondida sob as montanhas mantinham vivo o desejo de recuperá-la, mesmo quando gerações inteiras já haviam passado desde sua queda.

Balin acreditou que seria possível recuperar o antigo reino

Muito tempo depois, Balin, um dos membros da companhia que havia acompanhado Thorin Escudo de Carvalho na jornada até Erebor, decidiu liderar uma tentativa de recolonizar Moria. A expedição aconteceu décadas depois da recuperação da Montanha Solitária e pretendia restaurar parte do antigo domínio dos Anões.

Nos primeiros anos, a colônia conseguiu ocupar diferentes áreas e transmitir notícias positivas. Balin estabeleceu sua posição como senhor de Moria, enquanto os integrantes da expedição exploravam e defendiam os antigos salões. Por algum tempo, parecia possível que o retorno tão desejado finalmente estivesse acontecendo.

A situação, entretanto, começou a piorar. Os inimigos presentes na região pressionaram a pequena colônia, os caminhos se tornaram perigosos e os Anões acabaram isolados. Sem força suficiente para manter a posição, a tentativa de recuperar Khazad-dûm terminou em desastre.

O Livro de Mazarbul revelou o destino da expedição de Balin

Quando a Sociedade do Anel entrou em Moria anos depois, ninguém do lado de fora sabia com certeza o que havia acontecido com Balin e seus companheiros. As respostas apareceram quando o grupo encontrou uma câmara contendo o túmulo de Balin e restos da colônia.

Ali também estava o Livro de Mazarbul, registro dos acontecimentos vividos pelos Anões durante seus últimos dias. As páginas mostravam como a situação havia se deteriorado até que os sobreviventes ficassem cercados e sem possibilidade de escapar.

Para Gimli, a descoberta tinha um peso ainda maior. O lugar que ele esperava encontrar ocupado por seus parentes havia se transformado em uma tumba. A passagem da Sociedade por Moria deixava de ser apenas uma travessia perigosa e se tornava também a confirmação de mais uma tentativa fracassada de recuperar o reino.

A Sociedade do Anel entrou em Moria porque outros caminhos falharam

Moria não era a primeira opção da Sociedade. Depois de tentar atravessar as Montanhas Sombrias por Caradhras e ser impedido pelas condições da montanha, o grupo precisou considerar a passagem subterrânea.

A escolha era arriscada justamente porque ninguém conhecia a situação real dentro de Moria. Gandalf sabia da reputação do local, enquanto Gimli ainda mantinha esperança de encontrar a colônia de Balin. Ao atravessarem as Portas de Durin, os companheiros entraram em uma cidade cuja história recente permanecia praticamente desconhecida para eles.

Pouco a pouco, o perigo ficou evidente. Primeiro vieram os sinais de abandono, depois a descoberta da morte de Balin e finalmente os ataques dos orcs. O maior perigo, porém, ainda estava mais abaixo.

Gandalf encontrou em Moria um inimigo que poucos poderiam enfrentar

Quando a Perdição de Durin apareceu diante da Sociedade, Gandalf compreendeu imediatamente que o grupo estava diante de algo muito mais perigoso do que os orcs que os perseguiam. O Balrog pertencia aos tempos antigos e possuía uma natureza comparável à dos espíritos dos quais o próprio Gandalf fazia parte.

A fuga levou a Sociedade até a Ponte de Khazad-dûm. Gandalf permaneceu para impedir que a criatura alcançasse os companheiros e conseguiu quebrar a ponte sob seus pés. O Balrog caiu, mas seu chicote alcançou o mago e o arrastou para o abismo.

Para a Sociedade, Gandalf havia desaparecido nas profundezas de Moria. O confronto, entretanto, estava apenas começando. Aquilo que aconteceu depois ocorreria longe dos olhos de Frodo, Aragorn e dos outros companheiros.

A batalha entre Gandalf e o Balrog saiu das profundezas e terminou no alto da montanha

Gandalf e a Perdição de Durin caíram até regiões muito abaixo dos salões conhecidos pelos Anões. A luta continuou nas profundezas, onde existiam águas e passagens tão antigas que pouco se sabia sobre aquilo que habitava aqueles lugares.

Depois, o Balrog fugiu e Gandalf o perseguiu através de caminhos subterrâneos até alcançarem a Escadaria Sem Fim. O trajeto os levou progressivamente para cima, até que os dois finalmente chegaram ao cume de Zirakzigil.

Foi ali que o confronto terminou. Gandalf derrotou a criatura que havia destruído o reino de Durin quase mil anos antes, encerrando finalmente a existência do terror que os Anões haviam despertado nas profundezas. A vitória também custou a vida de Gandalf, que só retornaria posteriormente como Gandalf, o Branco.

Moria não terminou definitivamente com a passagem da Sociedade

É comum imaginar que a história de Moria termina depois da morte do Balrog, mas a antiga cidade ainda continuava existindo. A derrota da Perdição de Durin eliminou sua maior ameaça, porém não transformou imediatamente aqueles salões novamente em um reino anão.

Durante os acontecimentos posteriores da Guerra do Anel, orcs ainda ocupavam regiões das Montanhas Sombrias e a prioridade dos Povos Livres estava voltada para a derrota de Sauron. Recuperar Khazad-dûm exigiria um novo período histórico e condições muito diferentes daquelas existentes durante a Terceira Era.

A tradição dos Anões, entretanto, nunca abandonou completamente a ligação com o lugar. A memória de Durin, Kheled-zâram e dos grandes salões permanecia viva, fazendo de Moria muito mais do que uma ruína esquecida.

Por que Moria era tão importante para os Anões?

Khazad-dûm reunia praticamente tudo aquilo que poderia transformar um lugar no centro da identidade de um povo. Sua fundação remontava a Durin I, sua arquitetura representava algumas das maiores realizações dos Anões e suas minas haviam produzido uma riqueza que nenhum outro reino conseguiu reproduzir na mesma escala.

A cidade também atravessou períodos extraordinários da história da Terra-média. Manteve contato com Eregion, sobreviveu à destruição de reinos, permaneceu ativa durante eras e continuou sendo lembrada mesmo séculos depois de seus habitantes terem sido expulsos.

Por isso, perder Moria não significou apenas perder acesso ao mithril. Os descendentes de Durin perderam o lugar onde uma parte fundamental de sua história havia começado.

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